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A possível demolição do prédio do antigo Museu do Índio para as obras da Copa do Mundo de 2014 vai encontrar resistência e luta, ainda que pacífica, por parte dos 35 índios que ocupam o local desde 2006. A advertência foi feita pelo cacique Carlos Tukano, que se recusa a deixar o imóvel, construído há mais de 100 anos. O local também foi sede do antigo Serviço de Proteção ao Índio, comandado pelo marechal Cândido Rondon.
O cacique criticou a decisão do governo do estado de demolir o prédio como parte das obras de reforma do Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã. "A tensão é grande. Vai haver resistência, sim. Nós não queremos derramamento de sangue. Isso vai partir deles os policiais. Porque nós estamos acostumados a ver no dia a dia a polícia truculenta, que não quer diálogo e desconhece a política indígena. Nós não vamos sair. Vamos resistir pacificamente", disse Carlos Tukano.
Ele explicou que a manutenção do antigo prédio é importante pelo sentido histórico e simbólico do imóvel. "Para nós este pedaço é muito importante, porque aqui é de toda a sociedade indígena do Brasil. O índio não tem mais nada para perder. Este é o único espaço que nós temos agora. E eles querem nos tirar à força", declarou.
Carlos Tukano disse que estão sendo feitos contatos com outros povos indígenas para que eles entrem nesta luta. "Nós estamos articulando com vários grupos indígenas, como os guaranis kaiowás de Mato Grosso do Sul, do Xingu, e outras entidades indígenas, para que venham aqui ajudar. Vai ser uma luta pacífica, de resistência e de consciência", ressaltou.
A iminente desocupação e demolição do prédio pelo governo do estado, que deseja fazer ali estacionamento de carros e um museu do futebol, motivou a convocação de uma coletiva de imprensa na tarde de hoje. Além do cacique, participaram o antropólogo e ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) Mércio Gomes, Arão da Providência Araújo Filho, advogado e integrante do Conselho Nacional dos Direitos Indígenas, o arquiteto Roberto Anderson Magalhães e o defensor público federal Daniel Macedo.
O defensor ingressou com um recurso na presidência do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, responsável pela cassação das duas liminares que garantiam a permanência dos índios no prédio. Ele rebateu a tese de que a demolição do imóvel é necessária para permitir maior segurança na dispersão de público após os jogos no estádio durante a Copa do Mundo.
"Pelo fato de existir um grande evento esportivo, a gente não pode virar as costas para um patrimônio histórico de 1910. Este prédio não traz nenhuma dificuldade para a livre circulação de pessoas. Na Copa do Mundo de 1950, 200 mil pessoas passaram por aqui e não houve qualquer impedimento. Por que hoje, quando o Maracanã vai encolher quanto ao número de pessoas [para 80 mil], ele vai atrapalhar?"
O ex-presidente da Funai Mércio Gomes criticou a possível demolição do antigo Museu do Índio, onde trabalharam, além do marechal Rondon, pessoas como Darcy Ribeiro, Noel Nutels e Orlando Villas-Boas. "A importância é por ser um local simbólico da busca histórica por uma conciliação entre índios e não-indígenas no Brasil. Queremos que o governo federal interfira nisso, para podermos ter melhores condições de preservar o prédio", disse Mércio, que amanhã (24) vai lançar no local o livro Os Índios e O Brasil: Passado, Presente e Futuro. Também será hasteada uma bandeira do Brasil em uma das torres do imóvel, como sinal de resistência pacífica.
Ocupantes prometem resistir e lutar contra demolição de prédio
A possível demolição do prédio do antigo Museu do Índio para as obras da Copa do Mundo de 2014 vai encontrar resistência e luta, ainda que pacífica, por parte dos 35 índios que ocupam o local desde 2006. A advertência foi feita pelo cacique Carlos Tukano, que se recusa a deixar o imóvel, construído há mais de 100 anos. O local também foi sede do antigo Serviço de Proteção ao Índio, comandado pelo marechal Cândido Rondon.
O cacique criticou a decisão do governo do estado de demolir o prédio como parte das obras de reforma do Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã. "A tensão é grande. Vai haver resistência, sim. Nós não queremos derramamento de sangue. Isso vai partir deles os policiais. Porque nós estamos acostumados a ver no dia a dia a polícia truculenta, que não quer diálogo e desconhece a política indígena. Nós não vamos sair. Vamos resistir pacificamente", disse Carlos Tukano.
Ele explicou que a manutenção do antigo prédio é importante pelo sentido histórico e simbólico do imóvel. "Para nós este pedaço é muito importante, porque aqui é de toda a sociedade indígena do Brasil. O índio não tem mais nada para perder. Este é o único espaço que nós temos agora. E eles querem nos tirar à força", declarou.
Carlos Tukano disse que estão sendo feitos contatos com outros povos indígenas para que eles entrem nesta luta. "Nós estamos articulando com vários grupos indígenas, como os guaranis kaiowás de Mato Grosso do Sul, do Xingu, e outras entidades indígenas, para que venham aqui ajudar. Vai ser uma luta pacífica, de resistência e de consciência", ressaltou.
A iminente desocupação e demolição do prédio pelo governo do estado, que deseja fazer ali estacionamento de carros e um museu do futebol, motivou a convocação de uma coletiva de imprensa na tarde de hoje. Além do cacique, participaram o antropólogo e ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) Mércio Gomes, Arão da Providência Araújo Filho, advogado e integrante do Conselho Nacional dos Direitos Indígenas, o arquiteto Roberto Anderson Magalhães e o defensor público federal Daniel Macedo.
O defensor ingressou com um recurso na presidência do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, responsável pela cassação das duas liminares que garantiam a permanência dos índios no prédio. Ele rebateu a tese de que a demolição do imóvel é necessária para permitir maior segurança na dispersão de público após os jogos no estádio durante a Copa do Mundo.
"Pelo fato de existir um grande evento esportivo, a gente não pode virar as costas para um patrimônio histórico de 1910. Este prédio não traz nenhuma dificuldade para a livre circulação de pessoas. Na Copa do Mundo de 1950, 200 mil pessoas passaram por aqui e não houve qualquer impedimento. Por que hoje, quando o Maracanã vai encolher quanto ao número de pessoas [para 80 mil], ele vai atrapalhar?"
O ex-presidente da Funai Mércio Gomes criticou a possível demolição do antigo Museu do Índio, onde trabalharam, além do marechal Rondon, pessoas como Darcy Ribeiro, Noel Nutels e Orlando Villas-Boas. "A importância é por ser um local simbólico da busca histórica por uma conciliação entre índios e não-indígenas no Brasil. Queremos que o governo federal interfira nisso, para podermos ter melhores condições de preservar o prédio", disse Mércio, que amanhã (24) vai lançar no local o livro Os Índios e O Brasil: Passado, Presente e Futuro. Também será hasteada uma bandeira do Brasil em uma das torres do imóvel, como sinal de resistência pacífica.
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